O mais novo trabalho de Daniel Radcliffe - A Mulher de Preto

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012 2 comentários

Parece que foi ontem que Daniel Radcliffe brincava com varinha de condão e fazia estripulias com as outras crianças de Hogwarts. Após uma década, 8 filmes e mais de US$ 7 bilhões em bilheterias, o “menino que viveu” Harry Potter, agora aos 22 anos, inicia uma nova jornada em sua carreira e seu primeiro passo é “A Mulher de Preto”, em que interpreta… um pai viúvo!
É claro que será difícil para os fãs da saga “Harry Potter” desassociarem a imagem do ator da fantasia encantada, depois de acompanhá-lo por tantos anos. Uma prova disso é que centenas de garotas participaram das pré-estreias de seu novo filme ao redor do mundo vestidas completamente de preto – e lotaram as salas de cinema, é claro. Radcliffe já esperava essa situação e acredita que é uma questão de tempo até o público entender que seus novos filmes não serão continuações de “Harry Potter”.

“Eu teria sido incrivelmente tolo se pensasse que as pessoas não irão mais me ver como Harry. Acho que vai demorar mais dois ou três filmes, mas esse é um bom começo”, declarou o ator durante entrevista coletiva para divulgar a nova produção.
Com o fim da saga mais lucrativa do cinema, não seria estranho encontrar Radcliffe negociando participações em novos blockbusters, procurando uma nova franquia ou buscando algum filme de arte com algum cineasta consagrado para contrastar o envolvimento com “Harry Potter” e provar seu talento como ator. Mas após tornar-se o jovem mais rico da Inglaterra, ele pode se dar ao luxo de simplesmente… apostar num filme barato de uma produtora falida, comandado por diretor desconhecido – James Watkins, que anteriormente só havia realizado “Sem Saída” (não aquele protagonizado recentemente por Taylor Lautner, mas uma produção homônima de 2008, com Michael Fassbender no elenco, cujo título original é “Eden Lake”). “Eu gosto da ideia de não precisar trabalhar por dinheiro. Se eu quiser, posso escolher projetos independentes pelo resto da minha vida e ser muito feliz com isso”, disse.
Radcliffe não aparenta ter virado o estereótipo da estrela-mirim deslumbrada com o sucesso. Sua vida social é comportada (a rápida passagem pelas bebedeiras já parece ter ficado para trás) e suas escolhas artísticas não têm sido óbvias: além da peça teatral “Equus”, que teve direito a nu frontal, ele também arriscou-se no musical “How To Succeed in Business Without Really Trying”, em Nova York.
Com “A Mulher de Preto”, o astro utiliza sua fama, inclusive, para apoiar o retorno de uma marca clássica do cinema britânico: o estúdio Hammer, que no passado produziu alguns dos maiores clássicos do horror gótico, como “A Maldição de Frankenstein” (1957) e “O Vampiro da Noite” (1958) – ambos com Christopher Lee (“O Senhor dos Anéis”) e Peter Cushing (“Star Wars”). “Tenho muito orgulho de fazer parte da indústria cinematográfica britânica. E sair de algo tão prestigiado como ‘Harry Potter’ para algo igualmente prestigiado como a Hammer foi muito emocionante”, comemorou o ator.

Ele acredita que o retorno da produtora inglesa poderá resgatar o respeito pelo gênero do horror, que, para ele, nos últimos anos substituiu a atmosfera do medo por truques e apelações baratas. “Hoje em dia, as pessoas estão cercadas por ‘Jogos Mortais’, ‘O Albergue’ e ‘Centopeia Humana’ e todas essas coisas que contam com muito sangue e imagens chocantes e perturbadoras para assustar as pessoas”, reclamou o astro. “‘A Mulher de Preto’ não depende de nenhuma dessas muletas. O que eu gostei no roteiro foi que ele não era uma história criada para que pudesse facilitar certos sustos.”
“A Mulher de Preto” é a segunda adaptação do livro de Susan Hill, escrito em 1983 (em 1989, foi produzido um telefilme homônimo), e conta a história de Arthur Kipps (Radcliffe), um jovem advogado viúvo que vai até um vilarejo no interior da Inglaterra resolver a documentação de uma propriedade que pertencia a uma falecida. Ao chegar ao local, o rapaz descobre que a mansão é assombrada pelo fantasma de uma mulher vingativa, que vem atormentando os moradores da região.
Como se vê, trata-se de uma típica história de fantasma, tema que não costuma ser muito visitado por astros já consagrados. “Eu nunca me imaginei fazendo horror, nunca foi algo que gravitou em minha direção”, concorda o ator – ainda que os mais exagerados possam afirmar que “Harry Potter” já flertava com o gênero em alguns momentos. Mesmo assim, ele resolveu ler o roteiro, escrito por Jane Goldman (“Kick-Ass – Quebrando Tudo”), exatamente um dia após a última filmagem de “Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2” e resolveu se arriscar.
O ator acredita que a trama de assombração apresenta uma série de camadas e investe no desenvolvimento do protagonista, mais do que propriamente no suspense. “Arthur é alguém devastado por sua perda. Ele ficou completamente desconectado do mundo, de seu filho, de sua vida”. O drama vivido por seu personagem explicaria, por exemplo, porque ele insiste em ficar na casa assombrada, em vez de fugir ao primeiro sinal de que há realmente o espírito de uma mulher morta no local. “Se ele confirmar o que está vendo, isso significaria que há vida após a morte e ele poderia encontrar novamente sua esposa. Então ele fica lá como uma espécie de consolo, suponho”, teorizou.

Para interpretar o personagem, ele foi além de ler livros sobre o assunto da paranormalidade e dos costumes da era vitoriana, e entrevistou profissionais e pessoas que passaram pelo luto. Sua ideia era entender o sentimento de pessoas que perderam maridos ou esposas ainda jovens – uma sensação, para ele, diferente dos casos de pessoas há tempos casados. O ator também queria saber como é a relação entre pai e filho quando a mulher falece durante o parto. Haveria ressentimento na maioria dos casos? “A resposta que obtive foi definitivamente ‘sim’”.
Discussões obviamente mais adultas do que as encontradas na saga “Harry Potter”. E ele se prepara para um passo ainda mais maduro em seu filme seguinte, em que irá interpretar um personagem que seus fãs da franquia infantil terão que crescer bastante para aceitar: o jovem Allen Ginsberg, um dos grandes nomes da literatura beat, no filme “Kill Your Darlings”. O polêmico poeta era homossexual e sua conturbada personalidade o levou a um tratamento psiquiátrico. A direção é de mais um desconhecido: o estreante John Krokidas.

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